Paula Rego


Colecção de quadros sobre o aborto

2 Respostas to “Paula Rego”


  1. 1 ic@rol Fevereiro 1, 2007 ás 12:07 am

    Conheces bem a minha Visão sobre Paula Rego (visão porque não acredito na crítica pura e institucional da arte; isso são fantochadas), por isso digo Visão. Nos meus tempos académicos e nas passagens pelas inúmeras cadeiras de história de arte (todas elas, as cadeiras, me marcaram) houve uma, talvez por ter sido já no último semestre do curso, que me respondeu a questões que nunca coloquei a mim mesma mas que depois de ouvir a resolução / solução passaram a responder a coisas que duvidava tantas vezes mas nunca tinha conseguido colocar a questão. Confuso? Não. Falo de clics. Os célebres clics do meu professor Dr Luís Claudio Ribeiro. Clics com a arte. Ensinou-me muitas coisas, uma delas, que a arte só existe se a considerarmos como tal e para isso tem de existir clics entre mim (espectador) e a obra. Volto ao princípio. Sabes a minha Visão de Paula Rego, que aqui não exponho. Não interessa. É só o meu modo de ver a sua arte. Contudo, estes fragmentos de Paula Rego da colecção do Aborto são para mim clics violentos… porque sou mulher e por isso me revejo; porque retrata o Aborto clandestino cometido por milhares de Portuguesas e por essa revolta também me revejo; porque é pintado com o sentimento de outra mulher, sim, por isso também me revejo; porque retrata todas as mulheres portuguesas (1 em cada 7) que já fizeram um Aborto e portanto falamos de uma ferida aberta, em carne viva da sociedade a que pertenço e por isso tenho de me rever nestas obras de Paula Rego: arte, pura arte que me inunda os olhos; que me arrepia; que me faz sentir condenada e solidária com o representado. Por isso é arte mas será só para mim? Não creio. Será para uma grande multidão que no meu país continua a lutar por direitos tão fundamentais como a dignidade humana. Quando os motivos são esses a arte pode tornar-se uma bandeira e esta é sem dúvida uma bandeira da vergonha desmascarada através de uma grande artista, daquele que é um dos maiores erros da justiça portuguesa. Haja mais Paula Rego; haja mais vangardistas sem medo; haja bandeiras; haja mais liberdade dentro de nós para a conquista de coisas tão fundamentais, essenciais e básicas como o direito e a liberdade de opção e decisão da mulher. Falamos de direitos humanos. Ainda. Infelizmente. Parabéns pela escolha, parabéns pelos posts!

  2. 2 HG Fevereiro 1, 2007 ás 12:37 am

    Está um belo texto, só espero ter clics como os da Paula Rego.
    Em relação aos direitos da mulher nunca é demais falarmos deles. Espero bem que esta mal fadada lei saia duma vez.


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