Conheces bem a minha Visão sobre Paula Rego (visão porque não acredito na crítica pura e institucional da arte; isso são fantochadas), por isso digo Visão. Nos meus tempos académicos e nas passagens pelas inúmeras cadeiras de história de arte (todas elas, as cadeiras, me marcaram) houve uma, talvez por ter sido já no último semestre do curso, que me respondeu a questões que nunca coloquei a mim mesma mas que depois de ouvir a resolução / solução passaram a responder a coisas que duvidava tantas vezes mas nunca tinha conseguido colocar a questão. Confuso? Não. Falo de clics. Os célebres clics do meu professor Dr Luís Claudio Ribeiro. Clics com a arte. Ensinou-me muitas coisas, uma delas, que a arte só existe se a considerarmos como tal e para isso tem de existir clics entre mim (espectador) e a obra. Volto ao princípio. Sabes a minha Visão de Paula Rego, que aqui não exponho. Não interessa. É só o meu modo de ver a sua arte. Contudo, estes fragmentos de Paula Rego da colecção do Aborto são para mim clics violentos… porque sou mulher e por isso me revejo; porque retrata o Aborto clandestino cometido por milhares de Portuguesas e por essa revolta também me revejo; porque é pintado com o sentimento de outra mulher, sim, por isso também me revejo; porque retrata todas as mulheres portuguesas (1 em cada 7) que já fizeram um Aborto e portanto falamos de uma ferida aberta, em carne viva da sociedade a que pertenço e por isso tenho de me rever nestas obras de Paula Rego: arte, pura arte que me inunda os olhos; que me arrepia; que me faz sentir condenada e solidária com o representado. Por isso é arte mas será só para mim? Não creio. Será para uma grande multidão que no meu país continua a lutar por direitos tão fundamentais como a dignidade humana. Quando os motivos são esses a arte pode tornar-se uma bandeira e esta é sem dúvida uma bandeira da vergonha desmascarada através de uma grande artista, daquele que é um dos maiores erros da justiça portuguesa. Haja mais Paula Rego; haja mais vangardistas sem medo; haja bandeiras; haja mais liberdade dentro de nós para a conquista de coisas tão fundamentais, essenciais e básicas como o direito e a liberdade de opção e decisão da mulher. Falamos de direitos humanos. Ainda. Infelizmente. Parabéns pela escolha, parabéns pelos posts!
Está um belo texto, só espero ter clics como os da Paula Rego.
Em relação aos direitos da mulher nunca é demais falarmos deles. Espero bem que esta mal fadada lei saia duma vez.
Conheces bem a minha Visão sobre Paula Rego (visão porque não acredito na crítica pura e institucional da arte; isso são fantochadas), por isso digo Visão. Nos meus tempos académicos e nas passagens pelas inúmeras cadeiras de história de arte (todas elas, as cadeiras, me marcaram) houve uma, talvez por ter sido já no último semestre do curso, que me respondeu a questões que nunca coloquei a mim mesma mas que depois de ouvir a resolução / solução passaram a responder a coisas que duvidava tantas vezes mas nunca tinha conseguido colocar a questão. Confuso? Não. Falo de clics. Os célebres clics do meu professor Dr Luís Claudio Ribeiro. Clics com a arte. Ensinou-me muitas coisas, uma delas, que a arte só existe se a considerarmos como tal e para isso tem de existir clics entre mim (espectador) e a obra. Volto ao princípio. Sabes a minha Visão de Paula Rego, que aqui não exponho. Não interessa. É só o meu modo de ver a sua arte. Contudo, estes fragmentos de Paula Rego da colecção do Aborto são para mim clics violentos… porque sou mulher e por isso me revejo; porque retrata o Aborto clandestino cometido por milhares de Portuguesas e por essa revolta também me revejo; porque é pintado com o sentimento de outra mulher, sim, por isso também me revejo; porque retrata todas as mulheres portuguesas (1 em cada 7) que já fizeram um Aborto e portanto falamos de uma ferida aberta, em carne viva da sociedade a que pertenço e por isso tenho de me rever nestas obras de Paula Rego: arte, pura arte que me inunda os olhos; que me arrepia; que me faz sentir condenada e solidária com o representado. Por isso é arte mas será só para mim? Não creio. Será para uma grande multidão que no meu país continua a lutar por direitos tão fundamentais como a dignidade humana. Quando os motivos são esses a arte pode tornar-se uma bandeira e esta é sem dúvida uma bandeira da vergonha desmascarada através de uma grande artista, daquele que é um dos maiores erros da justiça portuguesa. Haja mais Paula Rego; haja mais vangardistas sem medo; haja bandeiras; haja mais liberdade dentro de nós para a conquista de coisas tão fundamentais, essenciais e básicas como o direito e a liberdade de opção e decisão da mulher. Falamos de direitos humanos. Ainda. Infelizmente. Parabéns pela escolha, parabéns pelos posts!
Está um belo texto, só espero ter clics como os da Paula Rego.
Em relação aos direitos da mulher nunca é demais falarmos deles. Espero bem que esta mal fadada lei saia duma vez.